1.1.1.7 O Ponto no Tempo:
O Agora como Ponto Eterno

1.1.1.7 – O Ponto no Tempo: O Agora como Ponto Eterno
Entre o passado e o futuro, existe um instante que escapa à cronologia: o agora.
Como o ponto na geometria, o agora no tempo não tem extensão, não ocupa duração mensurável.
E, no entanto, é nele que tudo acontece.
O agora é o ponto absoluto do tempo, o eterno presente que sustenta toda experiência.
Esse microcapítulo propõe uma jornada pela natureza temporal do ponto, investigando sua essência no tempo vivido, meditado, percebido e, paradoxalmente, eterno.
O ponto temporal é o lugar onde se encontram o ser, o tempo e a consciência.
O Tempo como Linha, o Agora como Ponto
A mente humana tende a conceber o tempo como uma linha com passado, presente e futuro dispostos como eventos sucessivos.
Mas essa linearidade é uma construção.
A ciência, a filosofia e as tradições espirituais convergem em um ponto: só existe o agora.
O passado é memória; o futuro, expectativa.
O que temos de real, tangível e vivo é este instante que se renova a cada batida do coração.
Se compararmos o tempo a uma linha, o agora é o ponto que se move ao longo dela.
Mas, numa perspectiva mais profunda, não se move ele é.
Tudo o mais gira em torno dele.
O Agora na Filosofia: O Tempo de Ser
Ao refletir sobre o tempo, só se entende o presente.
O passado já não é, e o futuro ainda não é.
O presente é o único modo de ser do tempo.
O tempo como uma tensão da alma entre o que se lembra, o que se vê e o que se espera mas o centro de tudo isso é o ponto presente.
Em Ser e Tempo, propôs que o ser humano é um “ser temporal” que se projeta no tempo, mas que só se revela plenamente no instante em que se encara sua existência o que ele chamou de “momento de visão”, o agora autêntico.
Dizia-se que “o tempo é sofrimento” porque onde há tempo, há memórias, sentimentos, momentos, sonhos, comparação, expectativa, medo.
Só quando a mente repousa completamente no agora é que há verdadeira liberdade.
O Agora na Espiritualidade: O Ponto de Presença
Diversas tradições espirituais afirmam que Deus se revela apenas no agora.
O passado está morto; o futuro, incerto.
Mas o presente é presença.
No zen-budismo, a prática do zazen meditação sentada busca precisamente essa imersão no instante presente, onde mente e corpo não estão em lugar nenhum além daqui.
“Ao comer, apenas coma. Ao andar, apenas ande.” Essa máxima zen revela a profundidade do agora.
No hinduísmo, o “Bindu” (ponto) é simultaneamente o início da criação e o ponto de absorção onde o tempo nasce e onde se dissolve.
Não tem passado nem futuro. É puro ser.
O Agora na Física: Entre Cronos e Kairós
Na física moderna, o tempo é relativo.
O agora para um observador pode não ser o mesmo para outro, dependendo da velocidade e da gravidade a que está submetido.
Isso desafia nossa noção linear e absoluta de tempo.
A teoria do “Bloco do Universo” em que passado, presente e futuro coexistem sugere que o agora é apenas uma percepção subjetiva, como uma agulha percorrendo um disco.
O ponto presente é, então, uma ilusão da consciência para organizar a experiência.
Mas há também o conceito de Kairós, vindo da Grécia Antiga, que diferencia-se do tempo cronológico (Chronos). Kairós é o “tempo oportuno”, o momento certo, o instante pleno de sentido.
O agora é esse ponto: a eternidade tocando o tempo.

O Ponto e a Mente: Psicologia do Instante
A mente raramente está no agora.
Ela salta entre lembranças e expectativas, tentando controlar o incontrolável.
O agora escapa porque é fluido, e o ego busca solidez.
Mas é justamente no ponto do agora que o ego se dissolve e o ser pode simplesmente ser.
A psicologia contemporânea, sobretudo na abordagem mindfulness, tem resgatado o poder do instante presente como forma de cura, reconexão e autoconhecimento.
Concentrar-se no agora reduz ansiedade, promove clareza e amplia a consciência.
O Agora como Portal: Meditação e Ponto de Convergência
Meditar é fixar a mente no ponto presente.
Pode-se usar a respiração, uma vela, um som, ou até mesmo a simples observação dos pensamentos.
Quando a mente se ancora nesse ponto, surge um silêncio.
Nesse silêncio, uma presença maior se revela.
E, com ela, a percepção de que o agora é eterno não porque dura para sempre, mas porque é atemporal.
Este ponto do tempo é, então, o mesmo ponto da geometria sagrada, o ponto do centro espiritual, o ponto de onde a criação emerge.
É a intersecção do tempo com a eternidade.
Exercício Contemplativo: O Ponto do Agora
Sente-se por cinco minutos.
Coloque um ponto no centro de uma folha e mantenha o olhar fixo nele.
Respire.
Cada vez que sua mente vaguear, traga-a de volta ao ponto.
Sinta que aquele ponto é você: presente, atento, completo.
Não pense no passado.
Não projete o futuro.
Este ponto é o agora.
E nele, tudo está contido.
O Agora É o Ponto Onde Tudo Se Une
O ponto no tempo é o grande mistério: passa sem passar, é eterno sem duração, é tudo sem forma.
É o exato local onde somos mais vivos, mais conscientes, mais reais.
Tudo o que chamamos de “vida” acontece nesse ponto que chamamos de agora.
Assim como a geometria sagrada parte de um ponto, a existência se ancora no agora.
Reconhecer isso é um ato de libertação.
Viver no agora é viver no centro.
E o centro é o lugar da origem o ponto absoluto da vida.